Eram duas horas da tarde e ela tinha acabado de acordar, mas era como ter chegado de um dia cansativo daqueles que você se olha no espelho e pensa "tô acabada!". E foi assim, ela se olhou no espelho depois de se levantar e perguntou à sua imagem:
- O que fazer quando não se sabe o que fazer?
Se sentia perdida e queria abraçar o vento - o vazio. Ele não era tão mau assim, era amigo até. Naquelas horas em que ela saia do mundo dos outros por alguns instantes para entrar no seu mundo, o vazio lhe fazia companhia juntamente com a solidão. Eles respeitavam aqueles momentos em que ela realmente precisava ficar sozinha, eles ficavam quietos e não falavam nada, apenas observavam. Mas não, hoje ela precisava de um abraço de verdade - de carne e osso - que pudesse lhe dizer "vai ficar tudo bem".
É como andar sem chão, com medo de cair a qualquer momento - pensou.
Ela tornou a se deitar, sem resposta para a sua pergunta. Os seus olhos estavam um pouco vermelhos e um pouco inchados, não conseguia negar que não havia dormido bem na noite anterior.
Às vezes ela achava que as coisas estavam ficando certas mas, de repente, acontecia algo para mostrar-lhe que estava tudo errado novamente. Era como tentar e nunca conseguir, como colocar água num recipiente quebrado tentando preenchê-lo mesmo sabendo que daqui alguns instantes ele estará vazio novamente.
Em meio a tanta bagunça na sua cabeça, ela adormeceu.